Sarcopenia atinge milhões de idosos e acende alerta sobre quedas e fraturas

A sarcopenia, doença caracterizada pela perda progressiva de massa muscular, força e desempenho físico, já é reconhecida como um dos principais fatores de fragilidade entre os idosos. Estimativas globais indicam que por volta de 5% a 13% dos idosos entre 60 e 70 anos apresentam sarcopenia, percentual que pode subir para 11% a 50% nos octogenários (80 anos ou mais).

No Brasil, onde o número de idosos ultrapassa os 28 milhões, a prevalência de sarcopenia em pessoas com mais de 60 anos é estimada entre 15% e 17%, podendo dobrar nos mais longevos. A projeção é que esse número aumente, impulsionado pelo envelhecimento populacional e por fatores como sedentarismo, baixa ingestão de proteínas e doenças crônicas.

A condição tem impacto direto na mobilidade e funcionalidade do idoso. “A sarcopenia compromete a capacidade de realizar tarefas simples, como subir escadas ou se levantar de uma cadeira, aumentando o risco de quedas, fraturas e perda de autonomia”, explica o Dr. Fábio Lopes de Camargo, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – Regional Goiás (SBOTGO).

A combinação de sarcopenia com osteoporose é especialmente preocupante. Estudos já denominam essa associação de osteosarcopenia, uma síndrome que potencializa a fragilidade óssea e muscular. Segundo levantamento publicado na Osteoporosis International, até 58% das mulheres e 96% dos homens com fraturas por fragilidade podem apresentar também sarcopenia.

Entre os critérios diagnósticos, além da avaliação da força muscular com dinamômetros manuais, está a mensuração da massa magra por exames. A prevenção é possível e passa por dois pilares: exercício físico resistido e alimentação rica em proteínas. “O cuidado com o músculo deve começar antes que haja perda funcional importante”, alerta o Dr. Fábio. “Promover envelhecimento ativo, alimentação equilibrada e diagnóstico precoce é fundamental para garantir mais saúde e autonomia aos idosos brasileiros”, completa.